Boa Noite! Terça-feira, 16 de Outubro de 2018

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O PRESBÍTERO E A ATUALIDADE

“Não fostes vós que me escolhestes; eu vos escolhi e vos destinei a ir dar fruto, um fruto que permaneça...Isto é o que vos mando: que vos ameis uns aos outros” (Jo 15, 16-17).

Todo ano a Igreja Católica reflete celebra, no mês de agosto, as vocações que nela existem. Estas vocações são classificadas dentro das dimensões: sacerdotal, religiosa e laical. A intencionalidade neste presente artigo confere à dimensão sacerdotal, a qual, especificamente, denominada de presbiteral. Quer dizer, que a abordagem aqui tratará do presbítero nos dias atuais.

As pessoas têm em mente, quando falamos de presbítero, que é algo relacionado ao “padre”. Esta é uma palavra latina que significa “pai”. Isto nos leva a uma série de conotação sobre esta figura do padre. No entanto, muitas pessoas têm imagens diversas e até distorcidas do que vem a ser um presbítero.

Nos dias atuais estamos vivendo em uma sociedade pluricultural, plurirreligiosa e multidimensional. Nada mais é estático no nosso planeta. Ao refletir sobre a urgência do tempo e da realidade Edgar Morin afirma: “De tanto sacrificar o essencial em favor do urgente, acabamos por esquecer a urgência do essencial” (Le Figaro, 2003).

Criaram-se novos ambientes de atuação da religião. Na verdade estamos numa época de mudanças e numa mudança de época. Com o surgimento disso tudo aparecem novos modelos de presbíteros. Este modelos podem-se ser tipologizados como: o presbítero institucional, o pastoral, o existencialista e o que volta ás fontes.

O presbítero que representa a instituição é aquele que sente a instituição eclesial como sendo pétrea, vive e a defende-a com todas as suas forças. O seu marco regulatório está baseado no Código de Direito Canônico, a Lei da Igreja. Ele tem a visão de que a instituição existe para durar. É o presbítero que se apresenta apenas como o defensor da Igreja.

Na compreensão pastoral, o presbítero está à serviço do povo de Deus. A sensibilidade do presbítero está voltada para a pastoral. É uma pessoa que tem a sua finalidade na atuação com a comunidade. Pois o seu poder não é apresentado só como algo sagrado e que tem que ser vivido por ele e pelas demais pessoas. Nesta dimensão o presbítero não é intocável, como na anterior.

Vendo a partir da vivência existencial o presbítero carrega em si o próprio histórico de existência. É uma caminhada que a pessoa faz até chegar a receber a ordenação (Sacramento da Ordem). Ele tem várias questões existências que vão lhe acompanhando no decorrer de sua vida e que precisam de respostas. Nem sempre estas respostas a instituição dá a ele.

Hoje surge uma nova mudança na compressão do presbítero, como sendo aquele que quer buscar a vivência e o seguimento de Cristo a partir das primeiras fontes cristãs. É um presbítero que quer desmitificar a figura do “padre” do consciente coletivo. Essa que foi construída durante séculos. É um voltar para as origens, para reconhecer a Jesus na sua vida histórica.

Vimos acima algumas referências modelares sobre a identidade do presbítero nos tempos hodiernos. Pode-se dizer que dentro destas realidades tem “padre para todo gosto”. Mas a Igreja não pode se contentar apenas com estes modelos, e sim ter uma reflexão aberta sobre a verdadeira identidade do presbítero para o hoje. Que seja capaz de iluminar com os direcionamentos aos apelos de um novo seguimento de Cristo na vida das pessoas. Nas palavras de Documento de Aparecida: “presbíteros que sejam capazes ajudar as pessoas a se tornarem discípulos e missionários de Jesus Cristo”.

Para isso, é necessário que o presbítero esteja aberto ao diálogo com a realidade local e mundial. Seja convicto de sua fé, mas sem perder a compreensão de que se pode aprender muito no contato com as outras religiões e culturas. É importantíssima a presença da simplicidade e da gratuidade na vida do presbítero. Deve lembrar que a religião está aí para ajudar a pessoas a ter um relacionamento eficaz e eficiente com Deus e a influir na mudança da sociedade com o seu modo de viver eticamente.

Infelizmente muitas pessoas querem que o presbítero local seja um “boneco” em suas mãos. Sendo assim, elas podem manipulá-lo como bem o quiserem. Não é assim a vida é. Ele tem de cumprir a sua missão no meio do povo de Deus, amando-o, respeitando-o e fazendo que este povo tenha consciência da sua presença e construção do Reino de Deus, começando entre nós. O presbítero é um homem tirado meio do povo para servir ao povo de Deus. Ele não é apenas uma marionete. Pois tem sua identidade como pessoa, como cristão e como pastor do rebanho de Cristo.

Logo, espero que tenham compreendido um pouco mais sobre a realidade do presbítero no meio da comunidade. Como foi citado acima na frase bíblica, não foi ele que escolheu Cristo, mas Cristo que o escolheu para ser amigo dele. Que se possa valorizar mais os presbíteros de sua comunidade, sabendo que ele sempre precisa da oração e intercessão de seu povo.

Deus vos abençoe!

Pe. Jean Carlos

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