Boa Noite! Terça-feira, 16 de Outubro de 2018

Blog

Sociedade

A UTOPIA E A REALIDADE

Samira Fonseca 

Distante está a utopia de meu ser, irradiada pela luz límpida de um futuro que jamais viverei. Eu, vivente da realidade amargo-doce, rodeada de espectros, museus falantes que sobrevivem de comparações do processo da evolução social do ser humano.

Realidade e utopia juntas e ao mesmo tempo separadas pelo jogo de luz que a todo instante acende e apaga em uma velocidade semelhante à de uma estrela cadente. Na verdade é decadente essa utopia tal como essas estrelas.

Minha realidade marcha rumo à incerteza distante em um processo de busca da JUSTIÇA VOCACIONADA. Às vezes a coirmã VERDADE, vai ao seu encontro no avesso de minha existência e dialogam durante tardes inteiras, uma contando à outra os malefícios que fizeram durante a semana que se passou,em torno de uma xícara de bestialidade e arrogância, acompanhadas com rosquinhas de prepotência, elas saboreiam a tristeza de cada individuo por elas açoitado.

Com repudio contemplo suas gargalhadas, uma cada uma perseguindo o desejo de ser Deus, segundo as peculiaridades de sua paranóia de deidade, possuindo o dom de punir verbalmente assim como na história de Jó, quem nunca se atreveu a pisar com os pés sujos da lama da ignorância na sala da minha micro-intelectualidade.

Por que desde o passado psicológico, minha parte foi atingida e englobou o todo de minha alma? O que implica dizer que dobrar ou quebrar, esconder ou suplantar os minúsculos fragmentos das mazelas da noite para o dia é impossível?

Minha alma em sua essencialidade foi violentada pela ignorância e aspereza de uma superior analfabeta quanto a métodos de inúmeros cientistas do saber, involuntariamente retrocede e chega ao mesmo grau ou pior de baixeza que tinha aquele individuo.

Insensível! Isso é o que elas duas conseguem ser, às vezes pergunto às mesmas o que elas sentem ao fazer isso, qual o sabor, e elas que não sentem nada, sem saberem que o não sentir é um tipo de sentimento, e que a dormência das palavras não é sentida pelo corpo, pela voz ou pelas letras, estas duras semelhantes às rochas das águas do mar. Lixos nocivos ao ser humano, viciados na prática de crimes hediondos da alma, e sem punição publicam texticulos mortais ao olhar carente de afeto e canção.  

Enquanto isso minha utopia salteia os campos da melancolia e em noites estreladas repousa nos prados e campinas do sorriso elegante e delicado dos pensamentos misteriosos e vanguardistas.

Amante de inúmeras doutrinas é a melhor aluna do aprendizado. Minha utopia, morena dos olhos de cristais sempre conviveu com a ética e a moral em uma cordialidade impar e consegue junto a elas harmonizar o ambiente em que estão nunca violentou a alma de ninguém nem por gestos ou palavras voluntarias ou involuntárias. Ela é perfeita, desejada e também ignorada; a busca do que não existe é desafio para poucos por isso a maioria a despreza.

Longe ela vive porque também cometi o mesmo erro que os demais de banalizar o que ela poderia fazer na minha vida. Sim, ela se foi, exilada de minha vida íntima e oculta, atitude tomada diante do grande momento da vida.

Ao contrário da realidade, a utopia vive sozinha a murmurar ao vento a covardia que fazem a ela todas as vezes que os primeiros raios solares tocam o azul escuro do céu enfeitado com pontinhas prateadas.

Vista por pássaros que passam na monotonia diária, dialogando uns com os outros os relatos da pobre utopia. Em meio a esses relatos, lágrimas vão salinizando aqueles lábios que adocicaram os ouvidos e a mente de muitos.

Eu observei aquele pesar que sua voz jogava ao vento e ela confessando seu viver dizia:

“Rebentei meu limite, fui além daquilo que é impossível. Sonho que eu depositei dentro de cada um, mas poucos quiseram trancafiá-lo dentro de si, poucos quiseram alimentá-lo, cuidar para que ele crescesse saudável e fosse capaz de surpreender a todos, a maioria preferiu abrir as portas de seus corações e assim como pássaros deixaram seus sonhos voarem para lugares incertos.

Devido a isso muitos vivem no vale dos poemas secos, vegetando recitais de salgadinhos com sabor de fel. Muitos deles culpam-me por seus sonhos terem se esfacelado no meio do caminho, a verdade é que eu não tenho culpa do medo que há em todos os homens, é normal temer o desconhecido ou as idéias desconexas para alguns, mas o mundo é feito de diferença e anomalia.

Sei que existem pessoas que quiseram tornar-se “perfeitas” e nunca conseguiram. Gero sonhos de luz no ventre de meus anseios e estes têm características diferentes de outros, sendo assim, nunca haverá perfeição, pois não existe igualdade.

Parece filosófico, mas o sentido da realidade brindar com a verdade, o pungimento de alguém é exatamente esse, não serem compreendidas devido à fuga de seus sonhos que trancorrera em um momento irracional do passado. Lamento que ninguém faça uma avaliação do que eu poderia fazer e por medo, covardia ou ignorância, não deu e nem dará certo”.

Enquanto isso retorno ao colo da realidade e a verdade, dona de meu presente tentando seguir o rastro de minha utopia que mesmo machucada acelera o passo da produção de pássaros-sonhos para depois colocar mais uma pequena  criatura que tanto desejo no ninho do meu coração. Esperarei no meu tédio diário; enquanto observo o jogo da burrice que a realidade e a verdade acabaram de inventar para passar as noites.

Samira Diorama da Fonseca é acadêmica do curso de Letras da UEMA em Itapecuru – Mirim.

 


Atenção: Para comentar é preciso estar logado. Logue-se agora ou clique aqui para cadastrar-se.