Boa Noite! Terça-feira, 22 de Agosto de 2017

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Carne - "ceria"

Por: Renêr Bandeira de Melo

Cesta de Guarimã é o título de um dos meus primeiros contos publicados. Uma lembrança de quanto acompanhava meu pai rumo ao mercado municipal a fim de comprar uma carne do peito para o cozidão do almoço. Acordávamos de madrugada para ainda enfrentarmos uma fila, uma fila de cestas de Guarimã que as pessoas organizavam para marcar seus devidos lugares conforme a ordem de chegada.

Havia uma certa disputa por um pedaço de carne, pois a oferta era bem menor que a demanda; todavia a carne era fresca e cheirosa, bem diferente dos dias atuais que mesmo não sendo necessário acordar pela madrugada e muito menos disputar um pedaço de carne o produto oferecido é um desafio para o paladar dos itapecuruenses.

O consumidor mais desavisado corre risco de estar degustando carne bovina com quase vinte quatro horas de exposição, sem o ambiente refrigerado que se faz necessário para a boa conservação do produto; isto por que a matança é feita pouco depois do meio dia, entregue ao açougueiro em um transporte não refrigerado, portanto fora dos padrões exigido por lei, mas que será comercializada a partir da manhã do dia seguinte.

Caso alguém por algum motivo resolva comprar uma fatia de carne nas horas finais da manhã poderá adquirir um produto com suspeita de boa qualidade. É uma preocupação sanitária que os órgãos competentes parecem não perceber. Imaginem se os mesmos não consumissem a mesma carne? Não é preciso ser um técnico para entender que a exposição demorosa de um produto perecível sem as devidas condições de conservação pode gerar graves problemas de saúde à população maximizados pelo período chuvoso em que as moscas, primeiro que os humanos, encontram as postas de carnes penduradas nos açougues e agravada a situação depois que o ambiente é alvejado por jatos de inseticidas usados para matar as moscas.

Isso sem falar que por costume das pessoas em pegar em vários pedaços da carne exposta antes de comprar seu quinhão.

Enfim, estamos de “fato” em uma  “carniceria itapecuruense”.

Com a palavra os órgãos competentes.

 


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