Boa Madrugada! Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018

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Miguel Lauand vai à rádio 90FM e tenta se explicar

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O prefeito de Itapecuru Mirim, Miguel Lauand (PRB) concedeu entrevista no início da tarde desta quarta-feira (11) à rádio da família na tentativa de explicar o fato de ser candidato a tesoureiro na chapa que, segundo a imprensa maranhense, é apadrinhada pela família Sarney na corrida pela presidência da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM); mas acabou complicando em declarações que deixaram muitos de seus eleitores boquiabertos. Veja os principais pontos abordados:

SITUAÇÃO DO MUNICÍPIO

Miguel Lauand declarou que encontrou o município numa situação pior do que em 1996 (quando recebeu a administração das mãos da então prefeita Risalva Rodrigues). Naquela é poca, segundo ele, teve que arrombar a porta da prefeitura, chegou a encontrar fezes em cima da mesa e o município totalmente sucateado. “A situação que encontramos é muito pior do que em 1996… hoje o município está dilapidado, carros sem pneu, sem motor, uma verdadeira falta de respeito…”

QUANTO PIOR, MELHOR

Todos os candidatos sabiam que encontrariam uma situação difícil para administrar Itapecuru, mas parece que a intenção do atual prefeito é mostrar uma realidade muito pior. Antes de assumir a prefeitura pela terceira vez o locutor da rádio da família vendia a imagem de que Miguel seria o salvador da pátria, chegou a abrir uma contagem regressiva para “um novo tempo de moralidade e respeito para com a coisa pública”. Depois que assumiu o discurso mudou, agora pedem calma e uma carência de (pelo menos) seis meses a um ano para, segundo o locutor, colocar a “casa em ordem”. Miguel Lauand chegou a dizer na entrevista “eu não sou milagreiro, não posso mudar nada da noite para o dia”; fica a pergunta: Então não era melhor terrem ficado calados aguardando receberem o município para só então divulgar o cronograma de ação e o planejamento administrativo para os próximos anos?

PAGAMENTO DE PESSOAL

O prefeito declarou que “todos os servidores da gestão passada, registrados em folha, já foram pagos pela atual administração”, mas esqueceu de dizer que o pagamento já estava agendado desde Setembro de 2016 (antes mesmo dele assumir) por determinação da justiça. O cronograma de pagamento de pessoal previa o pagamento em Janeiro de 2017 do pessoal da saúde por questões de repasses de recursos do Fundo de Participação do Município (FPM). O pagamento foi garantido pela justiça ainda na gestão Magno Amorim (PPS).

PATRIMÔNIO PÚBLICO

Miguel Lauand disse que as secretarias foram sucateadas e que é preciso reestruturá-las, falou do aluguel de prédios para alocar os órgãos públicos, mas esqueceu de explicar o fato de ter secretarias no prédio onde funcionava a DIMAB – Itapecuru Distribuidora Maranhense de Babidas Ltda, empresa da qual ele é sócio com cota de participação informada em sua declaração patrimonial para a justiça eleitoral em 2012 e 2016 no valor de R$ 32.400,00. Aqui cabe outra pergunta: Para onde foi a “moralização” que viria a partir logo do primeiro dia deste governo?

NEPOTISMO

Quando perguntado sobre ter sido acusado pela imprensa do estado de praticar nepotismo o prefeito deu uma declaração que deixou muitos de seus eleitores boquiabertos, “eu fiz porque todo mundo faz, isso não é crime. Coloquei minha esposa porque é competente… minha irmã porque é competentíssima e foi diretora de órgão como o CEMA (antiga rede de ensino do Maranhão) durante muitos anos… uma outra pessoa, a Graça, que apesar de ter Fonseca no sobrenome nem é minha parente…”.

Então por que todo aquele estardalhaço com relação a administração Magno Amorim ter uma irmã e a mulher secretárias,  com ele a situação era diferente? Todo aquele discurso de “moralidade” dito em palanques desapareceu? Seria o tal do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço?

Se todo mundo faz, mesmo que seja imoral ou ilegal, aquele que diz desejar boas práticas e o bom andamento da administração do município deve seguir o mau exemplo dos outros? Onde fica a “moralização”?

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ELEIÇÃO DA FAMEM

Com relação ao seu nome constar como candidato a tesoureiro geral, função de extrema confiança, na chapa encabeçada pela prefeita de Rosário, Irlahi Moraes (PMDB), à presidência da Federação dos Municípios do Maranhão, que segundo a imprensa maranhense é apadrinhada pela família Sarney, Miguel Lauand declarou que nem sabia do que estava acontecendo. Disse que assim que soube ligou para a prefeita e pediu a retirada de seu nome da chapa e esta “ficou de dar uma posição”, mas que até o momento ainda não tinha recebido nada.

Declarou ainda que seu compromisso com o grupo político ao qual pertencia “acabou na última eleição quando apoiou Júnior Marreca (PR) para deputado federal e a chapa toda”, que tinha Edson Lobão Filho (PMDB) como candidato a governador. Declarou ainda que fez uma “amizade sólida, verdadeira e ‘recente’ com  Flávio Dino (PCdoB)” e que em reunião com o governador afirmou que não havia votado nele por compromisso com outro grupo, mas que sua família toda teria confiado o voto em Dino.

Curioso é a declaração de que “nem sabia” de seu nome ter sido registrado na chapa de Irlahy. Mais curioso ainda é a declaração de que seu “compromisso com o outro grupo” ter acabado na última eleição, já que depois de eleito Miguel Lauand fez questão de divulgar fotos em Brasília no gabinete do senador Edson Lobão (PMDB), deputado federal Hildo Rocha (PMDB), Cleber Verde (PRB), todos em Brasília logo após sua eleição. Também chama atenção o fato do prefeito de Itapecuru ser filiado ao Partido Republicano Brasileiro (PRB) que é da base de sustentação do grupo de oposição ao governo Flávio Dino. Outra pergunta: Miguel Lauand, que preza pela manutenção de um grupo em Itapecuru chamado “amigos para sempre” deixou de lado o “amigos” ou o “para sempre” em se tratando da atual conjuntura política estadual?

OPOSIÇÃO

Em sua entrevista Lauand partiu para o ataque com relação à imprensa local, encarou como críticas as publicações que relatam os acontecimentos dos primeiros dias de seu governo e tentou desqulificá-las. Mas não negou os fatos publicados e esforçou-se para tirar o foco dos atos recentes e levar a população a entender que tudo isso seja normal, que num futuro próximo (de seis meses a um ano) o município estará no caminho novamente.

Já no décimo primeiro dia de seu governo, Miguel Lauand passou a impressão da busca por uma oposição que não existe para atribuir culpas e justificar o velho discurso de “isso é intriga da oposição” por atitudes e ações que passavam despercebidas na época de seus outros dois governo anteriores. Ainda não percebeu que em tempos de internet, redes sociais, aplicativos como Whatsapp as informações são quase instantantâneas e a velocidade com que se difundem é estupenda. Por esse motivo diz-se que elas “viralizam”, para usar um termo do internetês.

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AO PREFEITO MIGUEL LAUAND

Assim como toda a sociedade itapecuruense, este veículo de comunicação tem o desejo de que rumemos juntos ao desenvolvimento do município. O dever da imprensa independente e séria é levar à população informações precisas, verdadeiras para que a sociedade possa não só acompanhar o que está acontecendo na ribeira do Itapecuru; assim como cobrar a aplicação correta do dinheiro público e a prática de ações que venham melhorar a qualidade de vida deste povo.

Os portais da transparência estão à disposição de qualquer cidadão, a qualquer hora, em qualquer lugar do planeta; bem como as páginas na internet dos órgãos de controle como Tribunais de Contas, Controladorias, Gonvernos de todas as esferas, Judiciário e legislativos federal, estadual e municipal.

O desejo deste veículo de comunicação, que em 2017 completa 10 anos de existência, é de ajudar a transformar a realidade desta gente sofrida que espera ansiosa por dias melhores. Não somos oposição ao seu governo, prefeito Miguel Lauand, procuramos informar de maneira imparcial os leitores que nos depositam a credibilidade nestes últimos 10 anos. Não temos qualquer interesse em atrapalhar o planejamento de seu governo com picuínhas, fofocas, falácias ou mentiras; afinal, fazemos jornalismo de verdade. Se chegamos até aqui com a credibilidade absoluta da população itapecuruense residente e daqueles conterrâneos que vivem nos mais distantes rincões deste mundo, não será agora que jogaremos tudo para o alto. Não temos motivos, nem pretenções políticas, econômicas, sociais, religiosas ou de qualquer outra espécie que nos leve a ser opositores a seu governo.

Somos jornalistas, mas antes de mais nada somos cidadãos itapecuruenses que amamos e prezamos nossa terra. Faça a coisa certa e estaremos ao seu lado, caso cometa erros estaremos nós do fundo do nosso quintal prontos, não para apontar o dedo, mas para apresentar soluções que o levem novamente ao caminho do bem deste povo itapecuruense.

 

 

Fonte: Da Redação



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